Aos pés do mandacaru, chorei

A noite celeste de estrelas vestida
em silêncio poético, cai no árido dia
acorda desejos com a lua
sal das paixões desmedidas

Sincera
rasga o céu noturno em revelação
inocente instante de furor
da beleza em brancura noturna

Suplício

A morte súbita da flor da noite
se veste de luz
do primeiro sussurro da aurora
para nunca mais

Meu olhar permaneceu no silêncio

Ardente

Do rastro dos espinhos
esparramados
que sangravam perfumes
sobre a terra agreste

Fitei o segredo da eternidade breve
e a nudez da beleza e da morte
anunciada

Aoelhei-me em êxtase e dor
morri e renasci
na mesma lágrima calma

Aos pés do Mandacaru,

Chorei

Era a poesia que me fitava.

Miriam Li/Braga 
acrilica/esmalte/eucatex 
(90 x 60)

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