O tremor do quase
Meu olhar incendeia
recusa
a folha do poeta
sobre a mesa desarrumada
Sei
ainda me chamas
como o beijo
que nos procura
Preciso desse lugar
onde o amor não se cumpre
Permaneço contorno
em combustão de quase
minha boca não diz
recua
para não trair o silêncio
que me desenha
Um risco vivo
a um passo do abismo
do teu castanho olhar
O traço vacila
Há em mim um verso trêmulo
entre o gesto e o encontro
minhas pálpebras exaustas
negam
noites de ausência
Não me chames!
Temo me tornar inteira
me entregar
perder este tremor do quase...
Teu olhar me percorre
como se me soubesse
poesia
Sem rima, fujo
finjo
mas não aconteceu poema.
Miriam Li/Braga
acrílica/papel camurça
(60 x 40)



























.jpg)







