Silêncio armado
Inclino-me às palavras pensadas
e lavo os pés das não ditas
Pensadas
latejam versadas letras
com cor de inspiração
Contidas
escrevem silêncios mudos
enquanto a noite desaba
em seda e aço
sobre o peito da alma encarnada
Impostas
baioneta engatilhada
pronta para reescrever
lapsos e fendas do não-saber
Pólvora seca perdida
no abismo estreito
entre o existir e o dizer.
Palavras caladas
rastros de luz nos céus sem altar
onde a minha verdade habita
Agigantam-se
Inteiras
não se rendem às vestes de força
do saber legitimado
que vigiam as praças
Carregadas de mundo
desenham liberdade brutal em veludos...
E espinhos
que chicoteiam e beijam o poema
sob olhares incrédulos
que me olham nua, sem tarjas.
Miriam Li/Braga
afrescos/grafite em pó
(75 X 45) cada









































