Lê - me agora
que a dor é vindoura
antes que o instante faleça
sobre o que ainda respira
Ainda que o meu riso fácil
tonteie a lágrima calma
engane abismos vizinhos
Lê-me tu!
Enquanto finjo não ler
o último recado da aurora
que ruge como sentença seca
às portas do poema sem lua
Espero sem boca
a ensaiar o olhar
que me diria inteira
a te chamar
em vapores de poesia
Lê-me
atravessa o que não se diz
são letras antigas
com perfumes de te encontrar
Miriam Li/Braga
afrescos/grafite em pó/água/lápis
Primeira parede que pintei
em 1996.






































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