A última janela aberta
Abro as janelas da noite
entrego ao silêncio
o último suspiro da cor
Como um beijo morto
a lua, silente
derrama-se sobre mim
Passiva esfinge
testemunha da lágrima calma
que meus versos soluçam
Não me procures
comecei a partir
antes mesmo de abrir a porta
Antes que a aurora
me espie
ajoelhada sobre ausências
que em mim dormitam
penduradas nos meus ossos
Queria ficar
Deus sabe
que eu queria
Ficar
é ouvir, novamente
os passos de quem partiu
Apago as luzes
do corredor
Levo nas mãos
a última estrela astral
que ainda acreditava em mim
junto aos beijos
que morreram nos lábios meus
E os meus sapatos vermelhos
de salto agulha
Esvazio os bolsos
dos nomes
que ainda me queimam a boca
A noite fecha a porta
Desapareço
antes que alguém descubra
onde escondi
a última janela aberta
Há um céu inteiro
dentro da tela de seda e aço
do meu olhar
Mas nenhuma rua
sabe o meu destino
Deixo sobre a mesa
o caderno e aquilo
que já não me veste
E sigo
sem nem mesmo a certeza
de ter estado aqui.
Miriam Li/Braga
grafite em pó/eucatex
(100 X 65)
Os outros
Os outros
Os outros
olham-me com olhos ácidos
pendurados no passado
longe demais
sem batimentos
Leiam -me hoje, à queima-roupa
sob o sol do amanhã
extremo horizonte dourado
perto demais
Antes do fim
abrem-se as cortinas de vidro
que nos partem
E repartem
Entre nós
a poesia luta
Grita letras brutas
sustenta o estrondo da mudez
somos acordes do mesmo poema
Guardo projéteis de afeto
calados
Versos que talvez existam
somente para perfurar distâncias
romper vidraças
Te encontrar
Somos os outros
uns dos outros
Olhares que se encontram
sem saber quem olha
Quem lê
Miriam Li/Braga
acrilica/tecido lona
(1,45 X 85)
Os outros
olham-me com olhos ácidos
pendurados no passado
longe demais
sem batimentos
Leiam -me hoje, à queima-roupa
sob o sol do amanhã
extremo horizonte dourado
perto demais
Antes do fim
abrem-se as cortinas de vidro
que nos partem
E repartem
Entre nós
a poesia luta
Grita letras brutas
sustenta o estrondo da mudez
somos acordes do mesmo poema
Guardo projéteis de afeto
calados
Versos que talvez existam
somente para perfurar distâncias
romper vidraças
Te encontrar
Somos os outros
uns dos outros
Olhares que se encontram
sem saber quem olha
Quem lê
Miriam Li/Braga
acrilica/tecido lona
(1,45 X 85)
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Resto do Post
Filhos da pauta
Filhos da pauta
Abro os cadernos da infância
linha por linha
a palavra começa presa
a pauta é moldura
onde só se entra mutilado
Aprendi a amputar a carne do excesso
a dobrar a língua da imaginação
calar as orelhas da folha
e o desejo de transbordar
para caber no desenho
Gritar desejos em silêncio
para não sujar o molde
Esquálido
Cuspam
nos meus traços tortos
mas não apaguem de mim
a autoria e as rasuras
da minha liberdade estética
Fora da pauta
sem rédeas espirituais
recuso a hóstia da teoria
querendo batizar minha fúria
em canteiros alheios
Inculta
Pedra viva
Transbordo, singular.
Miriam Li/Braga
Abro os cadernos da infância
linha por linha
a palavra começa presa
a pauta é moldura
onde só se entra mutilado
Aprendi a amputar a carne do excesso
a dobrar a língua da imaginação
calar as orelhas da folha
e o desejo de transbordar
para caber no desenho
Gritar desejos em silêncio
para não sujar o molde
Esquálido
Cuspam
nos meus traços tortos
mas não apaguem de mim
a autoria e as rasuras
da minha liberdade estética
Fora da pauta
sem rédeas espirituais
recuso a hóstia da teoria
querendo batizar minha fúria
em canteiros alheios
Inculta
Pedra viva
Transbordo, singular.
Miriam Li/Braga
Giz de cera e caneta esferográfica/
papel A 4
PS:
Somos, todos
Filhos da pauta mesmo
Julgamos, à revelia, a experiência de vida
uns dos outros.
papel A 4
PS:
Somos, todos
Filhos da pauta mesmo
Julgamos, à revelia, a experiência de vida
uns dos outros.
Resto do Post
Eu passava, com ferro elétrico, as páginas
dos cadernos para que "as orelhas das folhas" não aparecessem... não me diminuísse perante os outros.
"Ferro elétrico" = filtro, inclusive para alisar os cabelos,
antes da tecnologia atual
antes da tecnologia atual
Ossos do poema
Ossos do poema
Lavo as vestes de espera
lágrimas, absinto
E fel
Estendo ao sol da manhã
o pano puido do sofá azul
Esquálido
Mudo o curso
da poeira da saudade
para não me vestir de ti
Um sussurro
de estrelas marinhas
penduradas em versos
com cor de sonhar
ecoa
nos ossos do poema
Abandonado
devora o veneno
da carne da memória
Livre
escolheu ficar
Descalço dos sapatos de chumbo
perambula na noite do meu peito
Chora
sem ferir a poesia
Estremece
para, finalmente
vestir-se de mim.
MiriamLi/Braga
A única janela aberta
Releio páginas e páginas
de silêncio
engatilho letras livres
aprisionadas na garganta
do corredor da morte
Respiro o boêmio poema
disparo versos calados
até o papel em branco
virar um grito
com vestes de poesia
Existo
a caminho do nada
bordado de ais guardados
no silêncio que me sustenta
Sei
o tempo não cabe
nas minhas escolhas
é passo derradeiro
Sentença carimbada
na minha pele exausta
desenhada na menina
dos meus olhos
Insisto em ver beleza
na breve jornada da vida
vejo luz no fim do corredor
única janela que fica aberta
E o meu olhar de seda e aço
não sabe
se já sou apenas lembrança
no perfume dos dias
que fogem das minhas mãos.
Miriam Li/Braga
acrilica/esponja
(87 X 65)
Um milímetro de silêncio
Um milímetro de silêncio
O tempo goteja restos de espera
numa constrição de horas e silêncio
versos desabam devagar
sobre entulhos no cortejo do fim
O poema sofre comigo
Sem lua
rasteja sobre a pálida folha
arranca letras futuras
reza versos antigos
Estremeço
às portas da madrugada
vazia de calor
Um fio de poesia
brota da tela de seda e aço
do meu olhar
Revisito meus sonhos
abraço o poema já sem voz
Mudo, grita
um milímetro de silêncio
Ruge a rudez de sobreviver
sem rimas
Respira
à beira de um caminho
que talvez nem exista
Poesia bruta
casa mínima habitável.
Miriam Li/Braga
afreco/grafite em pó
(65 X 40)
A noite do instante
A noite do instante
Tua voz
se demora em partir
Inteira
além do som
Deságua em versos desertos
pelas ruas da madrugada
saliva entre silêncios
em carne viva
que aprendi a calar
Ainda somos
bocas famintas
aos pés da lua escarlate
de desejos
E mãos...
Existo
no cansaço do abraço
que não chega
Nunca
Estremeço
ao rumor da tua pele
como um berro calado
na garganta inflamada
do poema querendo voar
Desenho
o contorno dolorido
do peso do escuro
que desaba
com unhas e dentes
nas paredes mudas do poema
esculpindo a tua ausência
Às margens
do inverno febril do meu leito
um punhado de estrelas
ecoa teu perfume
nas auroras trêmulas
Da tua voz...
Tuas mãos!
Remendo páginas e páginas
do silêncio que range
a noite do instante
Rasgo as vestes de espera
Estremece o poema
repleto de pedaços
De ti.
Miriam Li/Braga
Tua voz
se demora em partir
Inteira
além do som
Deságua em versos desertos
pelas ruas da madrugada
saliva entre silêncios
em carne viva
que aprendi a calar
Ainda somos
bocas famintas
aos pés da lua escarlate
de desejos
E mãos...
Existo
no cansaço do abraço
que não chega
Nunca
Estremeço
ao rumor da tua pele
como um berro calado
na garganta inflamada
do poema querendo voar
Desenho
o contorno dolorido
do peso do escuro
que desaba
com unhas e dentes
nas paredes mudas do poema
esculpindo a tua ausência
Às margens
do inverno febril do meu leito
um punhado de estrelas
ecoa teu perfume
nas auroras trêmulas
Da tua voz...
Tuas mãos!
Remendo páginas e páginas
do silêncio que range
a noite do instante
Rasgo as vestes de espera
Estremece o poema
repleto de pedaços
De ti.
Miriam Li/Braga
Resto do Post
acrílica/papel camurça
{60 x 40)
Uma sílaba tua
Uma sílaba tua
Meu riso em desespero
sorri
para a lágrima calma
que prestes a chorar
calada
pendurada no teu olhar...
grita renúncias
anuncia a partida
Rasga
o gélido toque do adeus
que me despe da alma
Escorre
nos lençóis da minha pele
querendo ficar
Ajoelho
sussurro ao poema
que apague estes versos
que o vento não leve
uma sílaba tua
nem a tua boca da minha...
ou morra comigo.
Miriam Li/Braga
Versos que apaguei
entre silêncios que aprendi calar.
Três pinturas inacabadas
acrílica/carpete
(110 X 90) cada
Meu riso em desespero
sorri
para a lágrima calma
que prestes a chorar
calada
pendurada no teu olhar...
grita renúncias
anuncia a partida
Rasga
o gélido toque do adeus
que me despe da alma
Escorre
nos lençóis da minha pele
querendo ficar
Ajoelho
sussurro ao poema
que apague estes versos
que o vento não leve
uma sílaba tua
nem a tua boca da minha...
ou morra comigo.
Miriam Li/Braga
Versos que apaguei
entre silêncios que aprendi calar.
Três pinturas inacabadas
acrílica/carpete
(110 X 90) cada
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Resto do Post
Quando já era quase adeus
Quando já era quase adeus
Um verso clandestino
acende o olhar
do poema que me olha...
Romântico
Derramado em brancas páginas
pede a palavra
arranca de mim
páginas interiores...
Desarrumadas
Que aprendiam distâncias
até virarem ausência habitável
Fecha as pálpebras do ruído
apaga a luz devagar
para não assustar a poesia
As horas sempre precisas
esquecem de partir
Ficamos pele
neste lugar estreito
onde as letras já conhecem o fim
e mesmo assim
não retiram as flores da mesa
Quando já era quase adeus
o tempo perdeu o passo
devolveu-me as cores
ao que sempre em mim esteve vivo
O meu coração desconfiado
descobre que também enxerga
abre páginas fechadas
há muitos invernos
onde o meu silêncio pulsa
e o poema ganha contorno
Há poemas
que me chegam como encontro
outros me atravessam
esperam-me
às portas das madrugadas vadias
descongelam versos calados
quando já era quase adeus...
Miriam/Li/Braga
acrílica/papel camurça
(60 X 40)
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Um verso clandestino
acende o olhar
do poema que me olha...
Romântico
Derramado em brancas páginas
pede a palavra
arranca de mim
páginas interiores...
Desarrumadas
Que aprendiam distâncias
até virarem ausência habitável
Fecha as pálpebras do ruído
apaga a luz devagar
para não assustar a poesia
As horas sempre precisas
esquecem de partir
Ficamos pele
neste lugar estreito
onde as letras já conhecem o fim
e mesmo assim
não retiram as flores da mesa
Quando já era quase adeus
o tempo perdeu o passo
devolveu-me as cores
ao que sempre em mim esteve vivo
O meu coração desconfiado
descobre que também enxerga
abre páginas fechadas
há muitos invernos
onde o meu silêncio pulsa
e o poema ganha contorno
Há poemas
que me chegam como encontro
outros me atravessam
esperam-me
às portas das madrugadas vadias
descongelam versos calados
quando já era quase adeus...
Miriam/Li/Braga
acrílica/papel camurça
(60 X 40)
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Mãos cheias de lua
Mãos cheias de lua
Abro as cortinas da noite
acolho o silêncio
luminoso dos astros
alfabeto cadente
que risca e rasga o breu
Sob céus noturnos
com mãos cheias de lua
Respiro
Erguem-se constelações interiores
perfumes antigos tropeçam
na tontura dos ventos
encharcam a minha pele
Recolho abraços que adiei
Aconteço poesia
em versos tintos
pelas ruas do poema
despida de certezas
Vestida
de olhares sobre tela
Meu olhar acende distâncias
caminhos
que não me levam embora
inventa janelas vazias de adeus
onde havia muro
calado.
Miriam Li/Braga
acrílica e verniz/ duratex
(90 x 60) em andamento...
60% preenchido.
Série com 15 quadros com esta técnica
que desenvolvi.
Resto do Post
Estátua esquálida
Estátua esquálida
Numa noite de estrelas e lua
vem
acalma o tempo perdido
Vem
traz teu perfume, tua voz...
Tuas mãos
Nos teus lábios de sussurros
o sabor cortante
do beijo impuro de quase morte
No teu olhar de me querer
a declamação do abraço
abrigo e precipício em versos
que o meu peito calado
pelas ruas do poema
em fúria, clama
Estremeço
não sei o caminho...
Encontro entreaberto
inventado
no meu olhar que habitas
Ninguém mais... só tu!
quem partiu
mas não foi embora
Vem
ainda estou aqui
sem segundo
vestida de espera-pedra
estátua esquálida.
Miriam Li/Braga
acrílica/verniz/duratex
O oceano num balde de tinta
O oceano num balde de tinta
Busquei poesia
no barulho do sol poente
na inocência da sanguínea lua ..
no sussurro incandescente
de um punhado de estrelas
gritando céus
no extremo horizonte dourado
ao sabor da cadência do mar...
E no medo
do espetáculo das tempestades
do inverno dos dias molhados
Abrem-se as alas do silêncio inteiro
no estreito corredor
entre a carne do instante
e a vertigem da vida sem fim
O oceano num balde de tinta...
Deságua
nas paredes de arrimo
das encostas da minha vida
lavando véus opacos da lucidez
Nas asas dos meus sonhos
namoro
a imperfeição do outono
Passeio entre nuvens, manchas
seduzo o poema que me olha...
Calado
São letras em correnteza
olhares guardados em versos
sopros de saudades
dos afetos enterrados vivos
das estrelas inalcançadas
e das luas que não regressam
Fim do corredor
Sou quadro primeiro
esculpida de ausências
meu próprio chão
revirado em escolhas, coragem
paixão.
Miriam Li/Braga
Pinturas em acrílica e esmalte
Paredes de arrimo
Paredes de arrimo
Abro o portal dos sonhos
atravesso a película real
espio
a realidade paralela
na tela de seda do meu olhar
E sonho!
... sei que estou sonhando...
sem me dissolver
A eternidade entregue ao poema
respira calada
no corredor estreito
entre a carne do instante
e a vertigem da vida perpétua
Por livres e espontâneos
desejos próprios
não desenhei futuros...
Todos os meus sonhos
couberam num balde de tinta
Todos!
Sobrevivi sonhando
ao ranger dos dentes
e das engrenagens do mundo
Tenho nas mãos as digitais
do meu destino
untadas com grafite em pó
sem as grades invisíveis
da liberdade olhada
pelos olhos de aço do mundo
Permaneço
inteira
sem estilhaçar o silêncio
Insisto em ver beleza
nas manchas das paredes de arrimo
das encostas da minha vida
Não escondo o tempo
saboreio meus ciclos
distraio a fuga
Finco os pés no chão
sem pisotear passados.
Miriam Li/Braga
Afrescos/grafite em pó
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Resto do Post
Silêncio armado
Silêncio armado
Inclino-me às palavras pensadas
e lavo os pés das não ditas
Pensadas
latejam versadas letras
com cor de inspiração
Contidas
escrevem silêncios mudos
enquanto a noite desaba
em seda e aço
sobre o peito da alma encarnada
Impostas
baioneta engatilhada
pronta para reescrever
lapsos e fendas do não-saber
Pólvora seca perdida
no abismo estreito
entre o existir e o dizer.
Palavras caladas
rastros de luz nos céus sem altar
onde a minha verdade habita
Agigantam-se
Inteiras
não se rendem às vestes de força
do saber legitimado
que vigiam as praças
Carregadas de mundo
desenham liberdade brutal em veludos...
E espinhos
que chicoteiam e beijam o poema
sob olhares incrédulos
que me olham nua, sem tarjas.
Miriam Li/Braga
afrescos/grafite em pó
(75 X 45) cada
Resto do Post
Poema sem borda
Poema sem borda
Roo as unhas da incompreensão
até a tinta virar oceano
não me reduzo para caber no verso
Precipito em mim
Encontro-me comigo
em qualquer versão
restos que não engolem limite
meu gesto range ossos à contramão
Criar é rasgar véus tintos
com as mãos feridas
não caber em forma alguma
quase se deixar conter...
E falhar
Recuso o contorno que resolve
defesa erguida como método
O meu olhar transborda
nas fendas onde o excesso respira
Sanguínea
a tela de seda e aço do meu olhar
desestabiliza o instante
Como tentar abrir uma porta
que talvez exista apenas
para não ser aberta
a linguagem não desenha o limite
berra
versos livres que tentam caber
nas vestes sem cor
do poema sem borda.
Miriam Li /Braga
grafite em pó/eucatex
2 telas
(122 X 122) cada
Poema sem lua
Poema sem lua
Lê - me agora
que a dor é vindoura
antes que o instante faleça
sobre o que ainda respira
Mesmo que o meu riso fácil
tonteie a lágrima calma
engane abismos vizinhos
Lê-me tu!
Enquanto finjo não ler
o último recado da aurora
que ruge como sentença seca
às portas do poema sem lua
Espero sem boca
a ensaiar o olhar
que me diria inteira
a te chamar
em vapores de poesia
Lê-me
atravessa o que não se diz
são letras antigas
com perfumes de te encontrar.
Miriam Li/Braga
afrescos/grafite em pó/água/lápis
Primeira parede que pintei
em 1996.
Gritos de origem
Gritos de origem
Há um temor indizivel
que veste o mundo
com cores que ele já não tem
Um sussurro da lembrança
enterrada viva
sob camadas de esquecimento
Uma esperança umbilical, calada
Quem sou...
De onde eu vim...
Para onde vou..
O primeiro mundo
oceano sem memória
é gesto obscuro
que nos lançou à luz
Um poema inteiro sem gramática
somos eu, tu, nós...
E eles!
Os outros, antes
sombras que nos habitam
como herança sem retrato
Esse resto de eternidade
sonâmbulo sobre a carne
Todos
herdeiros expulsos do ventre
Abraço sem exílio
pendurado ao osso divino
Somos
esse intervalo ferido
entre o sopro e a queda
caídos num solo esquálido
Há um retorno
inscrito no abismo
que resiste à mudez da palavra
Rompe em gritos de origem
a ferida primordial em carne viva
que nos fundou
em tudo que insiste em amar.
Miriam Li/Braga
Há um temor indizivel
que veste o mundo
com cores que ele já não tem
Um sussurro da lembrança
enterrada viva
sob camadas de esquecimento
Uma esperança umbilical, calada
Quem sou...
De onde eu vim...
Para onde vou..
O primeiro mundo
oceano sem memória
é gesto obscuro
que nos lançou à luz
Um poema inteiro sem gramática
somos eu, tu, nós...
E eles!
Os outros, antes
sombras que nos habitam
como herança sem retrato
Esse resto de eternidade
sonâmbulo sobre a carne
Todos
herdeiros expulsos do ventre
Abraço sem exílio
pendurado ao osso divino
Somos
esse intervalo ferido
entre o sopro e a queda
caídos num solo esquálido
Há um retorno
inscrito no abismo
que resiste à mudez da palavra
Rompe em gritos de origem
a ferida primordial em carne viva
que nos fundou
em tudo que insiste em amar.
Miriam Li/Braga
Miriam Li/Braga
afresco/grafite em pó
(140 X 100)
0 olhar do tempo
Resto do Post
O olhar do tempo
Sob o olhar afiado do tempo
a voz do silêncio me chama
enquanto tua ausência
ainda respira na minha pele
Um fio de prata do horizonte
lambe meus cabelos
salga a pele da ventania
com perfume encharcado de mar
que ainda mora na minha boca
Repleto de ti
Ainda há mar entre nós
este pulsar tardio
me despe
não troco de pele
eu te visto
Estremeço
Quando te penso
a falência lenta
fere
tudo o que não te disse
Não te disse... não te disse?!
O olhar do tempo
implacável, me atravessa
em lembranças me devora
sustenta-me no que restou
E eu
nem o vi passar
Pálpebras caladas
derramam meus sonhos
sonhados acordada...
Contigo
É verso
poema em ruína
paixão
Desmorono
Até que o olhar do tempo
me olhe
Me leve
vestida de espera.
Sob o olhar afiado do tempo
a voz do silêncio me chama
enquanto tua ausência
ainda respira na minha pele
Um fio de prata do horizonte
lambe meus cabelos
salga a pele da ventania
com perfume encharcado de mar
que ainda mora na minha boca
Repleto de ti
Ainda há mar entre nós
este pulsar tardio
me despe
não troco de pele
eu te visto
Estremeço
Quando te penso
a falência lenta
fere
tudo o que não te disse
Não te disse... não te disse?!
O olhar do tempo
implacável, me atravessa
em lembranças me devora
sustenta-me no que restou
E eu
nem o vi passar
Pálpebras caladas
derramam meus sonhos
sonhados acordada...
Contigo
É verso
poema em ruína
paixão
Desmorono
Até que o olhar do tempo
me olhe
Me leve
vestida de espera.
Miriam Li/Braga
acrílica/grafite em pó/lápis/duplex
(98 X 67)
Crisálidas ao sol
Crisálidas ao sol
O olhar não fala
atravessa o silêncio e diz
sou a poesia contida
nos olhos de quem me lê
Eu e tu
Sensíveis como crisálidas ao sol
Somos um só verso
um poema sem pele
pendurado
no instante em que me olhas
No teu olhar
não sei solidão
O tempo hesita
a sós somos este poema
em criação
sem origem, sem moldura
Sem fim no silêncio
onde a arte e a poesia
simplesmente acontecem.
Miriam Li/Braga
acrílica/carpete
(100 X 75)
Na carne da metáfora
Na carne da metáfora
Um sussurro da madrugada
ainda úmida de nós
irrompe em poesia
às portas cerradas
dos versos silenciados
que em mim agonizam
Letras em sinfonia
ecoam em correnteza
pelo gargalo do poema destilado
tomam de mim
meu olhar longínquo de amor
Pairam perfumes
sobre o retrato calado
um tremor de maré
alvorece em te querer
Te querer...
Não cabe mais na minha pele
é vertigem que transborda
pela fenda da palavra
goteja teu nome dissolvido
no contorno exausto do meu corpo
nunca esquecido
Nunca, nunca ... nunca!
E eu
já sem gramática
no sótão do meu silêncio
rasgo as vestes da lucidez
Em ruína, em desejo
insisto em renascer poesia
na carne da metáfora
desabo, inteira, em ti.
Miriam Li/Braga
Miriam Li/Braga
acrílica/carpete
(120 x90)
O lado escuro do olhar
O lado escuro do olhar
O lado sombrio
que sustenta vitrines da aparência
carrega enganos domesticados
A luz vestida de lâmpadas mortas
invisível a olho nu
inventa abismos
sob véus de mistérios tramados
O lado escuro do olhar
talvez nem exista...
O lado claro do escuro
Perfume
embalado para presente
nas prateleiras expostas
famintas
de aparência impune
Recalcado
não confessa o que devora
embrulha oferendas
com laços de inocência
E eu
para não caber nisso...
engulo poesia num gole só
abraço estrelas cadentes
conto incontáveis grãos da areia
Estremeço...
Caminho
entre nuvens de versos
para ouvir ondas dançantes do mar
aspirar maresia
expirar letras de liberdade
sem mastigar o poema.
Miriam LI/Braga
Desenho/grafite em pó e lápis
papel A4
Um verso vestido de espera
Um verso vestido de espera
Estou a caminho de ti
estive perdida... no tempo ferido
que nos separa
Há um tempo só nosso
que cabe inteiro no olhar
um verso sanguíneo no abraço
E no beijo...
o poema vivo
que sangra somente por amor
como se o horizonte fosse apenas
a distância viva
entre a tua boca e a minha
Sabemos
mais perto do que o céu
há um verso vestido de espera
onde o amor não precisa partir
para sempre
Estou a caminho
se me chamares, eu vou
para sempre...
Contigo
Dançar à luz da grande lua
no chão cúmplice da eternidade.
Miriam Li/Braga
acrílica/eucatex
{60 x 40}
Resto do Post
O verniz das tintas mortas
O verniz das tintas mortas
Não me retiro da realidade
vivo apesar da realidade
em fúria
com lascas de cor ferida
Caminho a passos lentos...
limpos
sobre o chão real
dos céus dos meus sonhos
Varro o meu caminho
com silêncio
ignoro excessos
da invisibilidade colorida
para não desaparecer em mim
Silencio
para sobreviver poesia
ao extraordinário de existir
Sensível com a crisálida
Abro caminhos entre versos
sem constranger o poema
Seduzo o destino
que me abraça sereno
venço batalhas invisíveis
sem espetáculos
Recolho olhares
que me escutam
a olhos nus
além dos enganos
do verniz de tintas mortas.
Míriam Li/Braga
Foto autoral
Resto do Post
Mãos sujas de origem
Mãos sujas de origem
Descasco o silêncio
até confessar meus sonhos
versados a olho nu
nas paredes inocentes
da memória
da minha alma menina
Uma multidão de silêncios
habitando o mesmo osso
Berros calados ecoam
correnteza de versos
a caminho do mar
Minhas mãos
sujas de origem ...
Pó
Revelam vestígios de mim
guardados
até encontrar o brilho
sobre o cal da incompreensão
Do pó....sou pedra diamante.
Miriam Li/Braga
grafite em pó/eucatex
(100 x 70)
Resto do Post
O tremor do quase
O tremor do quase
Meu olhar incendeia
recusa
a folha do poeta
sobre a mesa desarrumada
Sei
ainda me chamas
como o beijo
que nos procura
Preciso desse lugar
onde o amor não se cumpre
Permaneço contorno
em combustão de quase
minha boca não diz
recua
para não trair o silêncio
que me desenha
Um risco vivo
a um passo do abismo
do teu castanho olhar
O traço vacila
Há em mim um verso trêmulo
entre o gesto e o encontro
minhas pálpebras exaustas
negam
noites de ausência
Não me chames!
Temo me tornar inteira
me entregar
perder este tremor do quase...
Teu olhar me percorre
como se me soubesse
poesia
Sem rima, fujo
finjo
mas não aconteceu poema.
Miriam Li/Braga
acrílica/papel camurça
(60 x 40)
Resto do Post
Partiu, mas não foi embora
Partiu, mas não foi embora
Sob o mesmo céu anil
de um arco-íris abandonado
confesso teu perfume
às portas do deserto
de um poema vazio de calor
Dilacerado
Destilada da ausência
a poesia feral uiva a dor
Escorre
Gota a gota
lateja
cospe letras de pedra
Sobraram beijos
enterrados vivos
sob a antiga pele
da boêmia poesia
Meu olhar cansado
esvaziado de mundo
escreve
oceanos de distância
Ainda somos
restos da paixão
que virou linguagem
Teu perfume...
À flor da minha pele
como barco mudo à deriva...
Partiu
mas não foi embora
Miriam Li/Braga
acrílica/lona
(100 x 65)
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Resto do Post
A cor do impossível
A cor do impossível
Abre-se o portal dos sonhos
na tela de seda e aço do meu olhar
um sussurro de poesia
com cor de impossível
Entre nuvens tintas de sonhar
rostos à procura de céus
Voo sem partida
pulso trêmulo de pincel
na trama de ferro da realidade
Sem algemas
redecoro o chão do poema
até a tinta virar oceano
caminho entre nuvens
onde respira a poesia.
Miriam Li/Braga
Grafite em pó/papel A IV
Eclipse
Eclipse
Mostro-me inteira, nua
volta e meia
nua
escondo-me
em olhares nus sobre tela
Desapareço
e se me calo
não é ausência...
É eclipse
Porque a palavra em mim
não é ausência
não morre..
Orbita
como a poesia
na garganta do poema
como a gravidade sustenta o céu
Lateja
no silêncio vulcânico
que me escuta
ampara minhas quedas
com mãos de noite
Nascente
Despe meus ossos
e veste com pele de poesia
a carne viva da palavra
gesta
meus berros calados
que a lua rubra, silente, sangra
Miriam Li/Braga
acrílica/tecido lona
(125 x 80)
Resto do Post
Tribnal de opiniões
Tribunal de opiniões
Por livres
e espontâneos desejos
permaneço
no silêncio que me credita
É escolha pensada
fonte de inspiração criativa
lâmina, casulo, defesa...
E resposta
Indiferente
caminho sem olhar para trás
Não me enquadro
em vitrines de aprovação
não me justifico
ao tribunal de opiniões
máscaras antigas
armadas de nãos
Antes de ser ouvida...
Martelos de sentenças
não me freiam
respiro o ar raro
da liberdade de expressão
em território de coleiras invisíveis
Quase pedra
não levanto a voz
silencio para que me ouçam
Suporto
mas não me reduzo
em molduras emprestadas
Não peço explicações
sobre a minha arte...
Eu as tenho.
Miriam Li/Braga
Afresco com grafite em pó
(135 x 85)
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/
Resto do Post
0 cansaço das estrelas
O Cansaço das estrelas
O infinito pendurado
num pedaço de horizonte
guardo no olhar
um instante de eternidade
um poema melindroso
deitado
num punhado de poesia
Sentença de beleza
fiéis são as estrelas
ausências que iluminam
a rudez do chão da noite
O ultimo suspiro de estrelas
que ninguém escuta
mudam de lugar
caem exaustas
enquanto meus versos
ainda respiram
no veludo do céu sonhado
No meu olhar vestido de sonhos
submerso em mar de tintas
continuam brilhando...
mesmo quando a luz
de cabelos brancos
já é só saudade
Se me olhas com olhar alheio
não me lês
se escutas o eco de ruídos tolos
não me ouves
permaneço pedra, assentada
Arranquem-me os olhos
mas não apaguem as estrelas.
Miriam Li/Braga
Fotomontagem
Resto do Post
E
![]() |
E
Ao sabor da minha arte
me entrego
respiro mar, céus, estrelas..
E a lua
A lua... feita de ausências
poesia viva
não precisa gestar luz
para iluminar o meu olhar
Há beleza de um abraço
no cortejo de estrelas
na pele da noite acesa
nos muros esquálidos
nas sarjetas ferida
que esqueceram o poema
E
nos enganos do sol
que finge verdades
vestidas de distância...
... A lua tem luz própria sim!
Meu olhar sobre telas
um punhado de eternidade
que carrego nas mãos
um adeus que nunca chega
meu vestido de renda
rasgado
na tempestade da indiferença
no perfume da lágrima calma
Nas madrugadas caladas
pinto versos
um sussurro de luz
bordado de silêncio
E
às vistas grossas da morte
semeio memórias
lembranças à beira do abismo
antes que ela me leia.
Miriam Li/Brag
Título do poema:
Título do quadro: Ás vistas grossas da morte
acrílica/papel camurça
(60 x 40)
Resto do Post
Meu caminho é de pedras... Preciosas
Meu caminho é de pedras...
preciosas
Em mim há um rumor de partida
meus passos caminham lentos
Hesitam
O chão parece repleto de dúvidas
... pisar numa estrada
que talvez nem exista
O amanhã ruge distante
Estremeço
dou um passo
e a alma se despedaça
na poeira dos instantes
recuo mas não volto
recolho vestígios de saudade
Letras em aliança
tentam gritar a mesma vertigem
que o traço revela
minha assinatura é território
que o meu silêncio sustenta
Há uma estrada
imensa, rasgando o mundo
como se fosse meu último verso
guardião do percurso
Uma encruzilhada
Meu olhar deseja o horizonte
minhas raízes presas ao ninho
às estações interiores
condenado a amar o impossível
Meu caminho é de pedras...
Preciosas.
Miriam Li/Braga
grafite/papel A IV
Resto do Post
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)








.jpg)



























