Tua voz
se demora em partir
Inteira
além do som
Deságua em versos desertos
pelas ruas da madrugada
saliva entre silêncios
em carne viva
que aprendi a calar
Ainda somos
bocas famintas
aos pés da lua escarlate
de desejos
E mãos...
Existo
no cansaço do abraço
que não chega
Nunca
Estremeço
ao rumor da tua pele
como um berro calado
na garganta inflamada
do poema querendo voar
Desenho
o contorno dolorido
do peso do escuro
que desaba
com unhas e dentes
nas paredes mudas do poema
esculpindo a tua ausência
Às margens
do inverno febril do meu leito
um punhado de estrelas
ecoa teu perfume
nas auroras trêmulas
Da tua voz...
Tuas mãos!
Remendo páginas e páginas
do silêncio que range
a noite do instante
Rasgo as vestes de espera
Estremece o poema
repleto de pedaços
De ti.
Miriam Li/Braga
acrílica/papel camurça
{60 x 40)





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