O tempo goteja restos de espera
numa constrição de horas e silêncio
versos desabam devagar
sobre entulhos no cortejo do fim
O poema sofre comigo
Sem lua
rasteja sobre a pálida folha
arranca letras futuras
reza versos antigos
Estremeço
às portas da madrugada
vazia de calor
Um fio de poesia
brota da tela de seda e aço
do meu olhar
Revisito meus sonhos
abraço o poema já sem voz
Mudo, grita
um milímetro de silêncio
Ruge a rudez de sobreviver
sem rimas
Respira
à beira de um caminho
que talvez nem exista
Poesia bruta
casa mínima habitável.
Miriam Li/Braga
afreco/grafite em pó
(65 X 40)






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