Ossos do poema
Lavo as vestes de espera
lágrimas, absinto
E fel
Estendo ao sol da manhã
o pano puido do sofá azul
Esquálido
Mudo o curso
da poeira da saudade
para não me vestir de ti
Um sussurro
de estrelas marinhas
penduradas em versos
com cor de sonhar
ecoa
nos ossos do poema
Abandonado
devora o veneno
da carne da memória
Livre
escolheu ficar
Descalço dos sapatos de chumbo
perambula na noite do meu peito
Chora
sem ferir a poesia
Estremece
para, finalmente
vestir-se de mim.
MiriamLi/Braga








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