Os outros
olham-me com olhos ácidos
pendurados no passado
longe demais
sem batimentos
Leiam -me hoje, à queima-roupa
sob o sol do amanhã
extremo horizonte dourado
perto demais
Antes do fim
abrem-se as cortinas de vidro
que nos partem
E repartem
Entre nós
a poesia luta
Grita letras brutas
sustenta o estrondo da mudez
somos acordes do mesmo poema
Guardo projéteis de afeto
calados
Versos que talvez existam
somente para perfurar distâncias
romper vidraças
Te encontrar
Somos os outros
uns dos outros
Olhares que se encontram
sem saber quem olha
Quem lê
Miriam Li/Braga
acrilica/tecido lona
(1,45 X 85)

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