preciosas
Em mim há um rumor de partida
meus passos caminham lentos
Hesitam
O chão parece repleto de dúvidas
... pisar numa estrada
que talvez nem exista
O amanhã ruge distante
Estremeço
dou um passo
e a alma se despedaça
na poeira dos instantes
recuo mas não volto
recolho vestígios de saudade
Letras em aliança
tentam gritar a mesma vertigem
que o traço revela
minha assinatura é território
que o meu silêncio sustenta
Há uma estrada
imensa, rasgando o mundo
como se fosse meu último verso
guardião do percurso
Uma encruzilhada
Meu olhar deseja o horizonte
minhas raízes presas ao ninho
às estações interiores
condenado a amar o impossível
Meu caminho é de pedras...
Preciosas.
Miriam Li/Braga
grafite/papel A IV

