Eclipse
Mostro-me inteira, nua
volta e meia
nua
escondo-me
em olhares nus sobre tela
Desapareço
e se me calo
não é ausência...
É eclipse
Porque a palavra em mim
não é ausência
não morre..
Orbita
como a poesia
na garganta do poema
como a gravidade sustenta o céu
Lateja
no silêncio vulcânico
que me escuta
ampara minhas quedas
com mãos de noite
Nascente
Despe meus ossos
e veste com pele de poesia
a carne viva da palavra
gesta
meus berros calados
que a lua rubra, silente, sangra
Miriam Li/Braga
acrílica/tecido lona
(125 x 80)

