A única janela aberta


A única janela aberta 

Releio páginas e páginas 
de silêncio 
engatilho letras livres
aprisionadas na garganta
do corredor da morte 

Respiro o boêmio poema 
disparo versos calados
até o papel em branco 
virar um grito
com vestes de poesia

Existo
a caminho do nada
bordado de ais guardados
no silêncio que me sustenta


Sei
o tempo não cabe 
nas minhas escolhas
é passo derradeiro

Sentença carimbada 
na minha pele exausta
desenhada na menina
dos meus olhos

Insisto em ver beleza 
na breve jornada da vida
vejo luz no fim do corredor
única janela que fica aberta

E o meu olhar de seda e aço 
não sabe 
se já sou apenas lembrança 
no perfume dos dias 
que fogem das minhas mãos.

Miriam Li/Braga 

acrilica/esponja
(87 X 65)