Sussurros da noite
Meu pensamento pulsa cosmos
Flui
regado a oceanos de estrelas
respiro céus que o universo guarda
Quando a noite sussurra estrelas
o poema adenso de mim
fratura o verniz opaco
dos véus inválidos impostos
Indiferente
ungida pelo luar de janeiro
observo auroras que não sei conter
nos corredores férteis do tempo
No silêncio vulcânico que me abriga
cada lágrima evapora em chama
no clarão ardente das eras líquidas
E ruge
na garganta das tempestades mudas
no túnel das lembranças feridas
que a minha pele bordada de luz
respira
Versos em brasa
fendem o poema em olhares calados
encharcam de poesia os céus siderais
Laços silenciosos
beijam a tela do meu infinito olhar
num abraço que só o silêncio traduz
E o poema, cioso, escuta.
Miriam Li/Braga
acrílica/eucatex
(90 x 60)

