E

E

Ao sabor da minha arte 
me entrego
respiro mar, céus,  estrelas..

E a lua 

A lua... feita de ausências 
poesia viva
não precisa gestar luz 
para iluminar o meu olhar 

Há  beleza de um abraço
no cortejo de estrelas 
na pele da noite acesa
nos muros esquálidos
nas sarjetas ferida
que esqueceram o poema 

E
nos enganos do sol
que finge verdades
vestidas de distância... 

... A lua tem luz própria sim! 

Meu olhar sobre telas
um punhado de eternidade
que carrego nas mãos 
um adeus que nunca chega 
meu vestido de renda
rasgado
na tempestade da indiferença 
no perfume da lágrima calma 

Nas madrugadas caladas
pinto versos
um sussurro de luz
bordado de silêncio 

E
às vistas grossas da morte
semeio memórias 
lembranças à beira do abismo
antes que ela me leia. 

Miriam Li/Brag

Título do poema: 

Título do quadro: Ás vistas grossas da morte 
acrílica/papel camurça
(60 x 40)

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