O verniz das tintas mortas
Não me retiro da realidade
vivo apesar da realidade
em fúria
com lascas de cor ferida
Caminho a passos lentos...
limpos
sobre o chão real
dos céus dos meus sonhos
Varro o meu caminho
com silêncio
ignoro excessos
da invisibilidade colorida
para não desaparecer em mim
Silencio
para sobreviver poesia
ao extraordinário de existir
Sensível com a crisálida
Abro caminhos entre versos
sem constranger o poema
Seduzo o destino
que me abraça sereno
venço batalhas invisíveis
sem espetáculos
Recolho olhares
que me escutam
a olhos nus
além dos enganos
do verniz de tintas mortas.
Míriam Li/Braga
Foto autoral

