O lado escuro do olhar

O lado escuro do olhar 

O lado sombrio 
que sustenta vitrines da aparência
carrega enganos domesticados
a luz vestida de lâmpadas mortas
invisível a olho nu
inventa abismos
sob véus de mistérios tramados
 
O lado escuro do olhar
talvez nem exista...

O lado claro do escuro

Perfume

Embalado para presente
nas prateleiras expostas 
famintas
de aparência impune

Recalcado
não confessa o que devora
embrulha oferendas
com laços de inocência 

E eu
para não caber nisso...
engulo poesia num gole só 
abraço estrelas cadentes
conto incontáveis grãos da areia

Estremeço...

Caminho 
entre nuvens de versos
para ouvir ondas dançantes do mar
aspirar maresia
expirar letras de liberdade
sem mastigar o poema.

Miriam LI/Braga
Desenho/grafite em pó e lápis 
papel A4