Na carne da metáfora
Um sussurro da madrugada
ainda úmida de nós
irrompe em poesia
às portas cerradas
dos versos silenciados
que em mim agonizam
Letras em sinfonia
ecoam em correnteza
pelo gargalo do poema destilado
tomam de mim
meu olhar longínquo de amor
Pairam perfumes
sobre o retrato calado
um tremor de maré
alvorece em te querer
Te querer...
Não cabe mais na minha pele
é vertigem que transborda
pela fenda da palavra
goteja teu nome dissolvido
no contorno exausto do meu corpo
nunca esquecido
Nunca, nunca ... nunca!
E eu
já sem gramática
no sótão do meu silêncio
rasgo as vestes da lucidez
Em ruína, em desejo
insisto em renascer poesia
na carne da metáfora
desabo, inteira, em ti.
Miriam Li/Braga
acrílica/carpete
(120 x90)

