Paredes de arrimo

Paredes de arrimo

Abro o portal dos sonhos
atravesso a película real
espio
a realidade paralela
na tela de seda do meu olhar

E sonho!
    ... sei que estou sonhando...
sem me dissolver

A eternidade entregue ao poema
respira calada 
no corredor estreito 
entre a carne do instante
e a vertigem da vida perpétua 

Por livres e espontâneos 
desejos próprios 
não desenhei futuros...

Todos os meus sonhos
couberam num balde de tinta

Todos!

Sobrevivi sonhando
ao ranger dos dentes
e das engrenagens do mundo

Tenho nas mãos as digitais 
do meu destino 
untadas com grafite em pó 
sem as grades  invisíveis 
da liberdade olhada
pelos olhos de aço do mundo

Permaneço 
inteira
sem estilhaçar o silêncio 

Insisto em ver beleza
nas manchas das paredes de arrimo
das encostas da minha vida

Não escondo o tempo
saboreio meus ciclos
distraio a fuga

Finco os pés no chão 
sem pisotear passados.

Miriam Li/Braga 

Afrescos/grafite em pó 

https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/

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