O oceano num balde de tinta
Busquei poesia
no barulho do sol poente
na inocência da sanguínea lua ..
no sussurro incandescente
de um punhado de estrelas
gritando céus
no extremo horizonte dourado
ao sabor da cadência do mar...
E no medo
do espetáculo das tempestades
do inverno dos dias molhados
Abrem-se as alas do silêncio inteiro
no estreito corredor
entre a carne do instante
e a vertigem da vida sem fim
O oceano num balde de tinta...
Deságua
nas paredes de arrimo
das encostas da minha vida
lavando véus opacos da lucidez
Nas asas dos meus sonhos
namoro
a imperfeição do outono
Passeio entre nuvens, manchas
seduzo o poema que me olha...
Calado
São letras em correnteza
olhares guardados em versos
sopros de saudades
dos afetos enterrados vivos
das estrelas inalcançadas
e das luas que não regressam
Fim do corredor
Sou quadro primeiro
esculpida de ausências
meu próprio chão
revirado em escolhas e paixão.
Miriam Li/Braga
Pinturas em acrílica e esmalte

