Roo as unhas da incompreensão
até a tinta virar oceano
não me reduzo para caber no verso
Precipito em mim
Encontro-me comigo
em qualquer versão
restos que não engolem limite
meu gesto range ossos à contramão
Criar é rasgar véus tintos
com as mãos feridas
não caber em forma alguma
quase se deixar conter...
E falhar
Recuso o contorno que resolve
defesa erguida como método
O meu olhar transborda
nas fendas onde o excesso respira
Sanguínea
a tela de seda e aço do meu olhar
desestabiliza o instante
Como tentar abrir uma porta
que talvez exista apenas
para não ser aberta
a linguagem não desenha o limite
berra
versos livres que tentam caber
nas vestes sem cor
do poema sem borda.
Miriam Li /Braga
grafite em pó/eucatex
2 telas
(122 X 122) cada


