Poema sem lua

Poema sem lua

Lê - me agora
que a dor é vindoura
antes que o instante faleça
sobre o que ainda respira

Ainda que o meu riso fácil 
tonteie a lágrima calma
engane abismos vizinhos

Lê-me tu!

Enquanto finjo não ler
o último recado da aurora
que ruge como sentença seca
às portas do poema sem lua

Espero sem boca
a ensaiar o olhar
que me diria inteira
a te chamar
em vapores de poesia

Lê-me
atravessa o que não se diz
são letras antigas
com perfumes de te encontrar

Miriam Li/Braga 
afrescos/grafite em pó/água/lápis 
Primeira parede que pintei
em 1996.