Quando já era quase adeus
Um verso clandestino
acende o olhar
do poema que me olha...
Romântico
Derramado em brancas páginas
pede a palavra
arranca de mim
páginas interiores...
Desarrumadas
Que aprendiam distâncias
até virarem ausência habitável
Fecha as pálpebras do ruído
apaga a luz devagar
para não assustar a poesia
As horas sempre precisas
esquecem de partir
Ficamos pele
neste lugar estreito
onde as letras já conhecem o fim
e mesmo assim
não retiram as flores da mesa
Quando já era quase adeus
o tempo perdeu o passo
devolveu-me as cores
ao que sempre em mim esteve vivo
O meu coração desconfiado
descobre que também enxerga
abre páginas fechadas
há muitos invernos
onde o meu silêncio pulsa
e o poema ganha contorno
Há poemas
que me chegam como encontro
outros me atravessam
esperam-me
às portas das madrugadas vadias
descongelam versos calados
quando já era quase adeus...
Miriam/Li/Braga
acrílica/papel camurça
(60 X 40)
https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/

