Visitei os céus de Júpiter

Visitei os céus de Júpiter

No abismo do meu pensamento
desfaço-me nas águas e nos ventos
nas correntezas sem memória
em véus de vapor

Errante

Quero caber num corpo de estrelas
abrigo
onde o instante mortal
seja eternidade sideral
a antiga pele tecida em luz

Suavizar as minhas quedas
romper
a rigidez da minha essência

Austera

Derramar esperança,
como sangue vivo
no cálice do meu destino

Gritar coragem nas frestas da noite

Sou do silêncio de janeiro
carrego o peso das pedras
na dureza de Saturno que me habita

Sei dos segredos do inverno

Visitei os céus de Júpiter
Senhor dos céus vastos
caminhei por rios de ventos
mares de água em fúria

Neles
o silêncio de trovões
era raio e ventanias

Uivantes

A noite, estrada de clarões

Regressei ponte alada
entre rocha e raio
minhas pedras
são degraus de ascensão
meu silêncio, luz
que devora a escuridão

Entre o tempo que me prende
e a eternidade que me chama
aprendi a caminhar
sozinha com o meu silêncio
iluminada pelo luar.

Miriam Li/Braga 

acrílica/esmalte/Eucatex (60 x 40)

https://www.instagram.com/olharesdaminhaalma/