Rio sem margens

Rio sem margens 

A indiferença do meu olhar 
finge a canção ausente 
declama o poema estátua 

Versos calados sofrem comigo 
escorrem como rio sem margens
gota a gota 
no abismo de não ser 

No instante em que me olhas
sabes de mim a renúncia inteira 

Em mim 

O teu olhar que desviei
a tua boca que não beijei
a tua pele de me querer 

Meus pés descalços sonham
o encontro 
na distância e no tempo 
grandes demais 
para caberem  entre nós dois 

No meu pensamento ainda soletro
a canção que fingi não saber
nas tardes em que te quis. 

Miriam Li/Braga
afresco/grafite em pó 
parte de afresco (210 x 100)