0 olhar do tempo


Resto do Post


O olhar do tempo

Sob o olhar afiado do tempo
a voz do silêncio me chama
enquanto tua ausência
ainda respira na minha pele

Um fio de prata do horizonte
lambe meus cabelos
salga a pele da ventania
com perfume encharcado de mar
que ainda mora na minha boca

Repleto de ti

Ainda há mar entre nós
este pulsar tardio
me despe
não troco de pele
eu te visto

Estremeço

Quando te penso
a falência lenta
fere
tudo o que não te disse

Não te disse... não te disse?!

O olhar do tempo
implacável, me atravessa
em lembranças me devora
sustenta-me no que restou

E eu
nem o vi passar

Pálpebras caladas
derramam meus sonhos
sonhados acordada...

Contigo

É verso
poema em ruína
paixão

Desmorono

Até que o olhar do tempo
me olhe

Me leve
vestida de espera.

Miriam Li/Braga
acrílica/grafite em pó/lápis/duplex
(98 X 67)