Estátua esquálida

Estátua esquálida 

Numa noite de estrelas e lua
vem
acalma o tempo perdido

Vem
traz teu perfume, tua voz...

Tuas mãos 

Nos teus lábios de sussurros
o sabor cortante
do beijo impuro de quase morte

No teu olhar de me querer 
a declamação do abraço 
abrigo e precipício em versos
que o meu peito calado
pelas ruas do poema
em fúria, clama
Estremeço 
não sei o caminho...

Encontro entreaberto
inventado
no meu olhar que habitas

Ninguém mais... só tu!
quem partiu 
mas não foi embora

Vem
ainda estou aqui
sem segundo
vestida de espera-pedra
estátua esquálida. 

Miriam Li/Braga 

acrílica/verniz/duratex