Abro os cadernos da infância
linha por linha
a palavra começa presa
a pauta é moldura
onde só se entra mutilado
Aprendi a amputar a carne do excesso
a dobrar a língua da imaginação
calar as orelhas da folha
e o desejo de transbordar
para caber no desenho
Gritar desejos em silêncio
para não sujar o molde
Esquálido
Cuspam
nos meus traços tortos
mas não apaguem de mim
a autoria e as rasuras
da minha liberdade estética
Fora da pauta
sem rédeas espirituais
recuso a hóstia da teoria
querendo batizar minha fúria
em canteiros alheios
Inculta
Pedra viva
Transbordo, singular.
Miriam Li/Braga
Giz de cera e caneta esferográfica/
papel A 4
PS:
Somos, todos
Filhos da pauta mesmo
Julgamos, à revelia, a experiência de vida
uns dos outros.
papel A 4
PS:
Somos, todos
Filhos da pauta mesmo
Julgamos, à revelia, a experiência de vida
uns dos outros.
.jpg)








.jpg)
















