A te procurar


A te procurar

Sempre quando eu venho aqui
um vazio quase morte serpenteia envolvente
leio letras de saudade, saudade em letras
versos tontos de amor
alço voo fulminante, a te procurar

Volta e meia lanço rezas, inválidas
Meia volta... se morrer é preciso
preciso morrer assim, de amor
a te procurar...
antes que o dia aconteça.
Miriam Li







acrílica e grafite em pó/ mdf (75 x 60 )

Ainda ontem, era amor

Ainda ontem, era amor

Meu corpo se agita à fina força
cruzo os braços frente a meu destino
em aposento cheiroso sonhei sonhos, anelados
era amor à flor da pele, ainda ontem

A distância se aproxima, cruel
Abro a janela real
avisto abismo sedento, tão perto
beijadas pétalas abandonam o buquê

Um arrepio norteia o meu olhar, além mar
Agarro-me às pétalas de um verso sem cor
verte um pranto mudo, magoado
pulsa uma dor sem corpo, caio por terra
um sonho perdido anoitece em mim.

Miriam Li



acrilica /mdf ( 75 x 60)



Resto do Post

Sob o mesmo sol de um arco-íris

               Sob o mesmo céu de um arco-íris

               Pairam perfumes à beira do amor
               Sob o mesmo céu de um arco-íris
               gotas de luz em dança dentro de mim
               desarmam o meu último olhar, inquieto

               A um passo do horizonte
               há um silêncio consentido, crucial
               um sorriso golpeado

               Confronto o arco-íris, face a face
               jorram brutais verdades, nuas
               A meia-voz entoo sonatas contidas em
               aventurado pote de liberdade, dourado

                Estendo a mão...
                Abraço a diversidade de bem-querer e
                a inocência de simplesmente ser, humano.
                Miriam Li



                                                                                                                                                                                                                acrílica/papel camurça (60 x 40)

Não quero viver, amanhã

Não quero viver, amanhã


Sabes que não quero viver, amanhã

sem o teu olhar no meu, a cada manhã

Se ontem vivi e teus olhos me dizem

o quanto te importo, hoje

Amanhã não quero viver.


Noites sem luar, sóis sem calor

Meu olhar se afasta para longe

tão perto ontem, hoje não quero viver, amanhã


Quando o amanhã raiar

em fuga ficarei no hoje, eternamente

entre os olhares da minha alma e

os amores que aqui eu deixar, hoje.


Não quero viver, amanhã.

Miriam Li


Grafite em pó/duratex (100 x 65)









Resto do Post

Além da meia noite


Resto do Post

 Além da meia noite

Calada é a noite, além da meia noite
quando o meu olhar no teu desaba, deságua
qual rio caldoso em leito cordial
acordam estrelas, cadentes resvalam errantes
Seduzem solteiros olhares ao sabor da ilusão

Meia noite, noite e meia, além
Meias noites sem juízos além da meia noite

Mentirosa lua vagueia à toa, promessas vãs...
Tarde demais, a noite cai no dia, além
Ordinário sol.
Miriam Li







acrílica/mdf ( 75 x 60)

 Depois de ti

 Jazem tulipas, nas vísceras da espera
  Fraca, minto sorrisos, escondo beiços dormentes
  quietos, envelhecem secretas lembranças

   desvio desconhecidos olhares
   guardo berros calados
   arrasto braços sem abraços   
   enquanto sorvo inodoras flores, tingidas.

   Socorre-me a lua,nas madrugadas vadias,
   iluminando a presença da tua ausência
   mostra-me o espelho, que me foge a vida
   ainda encharcada de sonhos

   No silêncio dos desejos, quieta
   estapeio a realidade, estremeço, e
   tento não sofrer, depois de ti.
   Amanhã não sei...
   Miriam Li

acrílica/mdf (75 x 60)

Resto do Post

Despedida




    Despedida


     Sofro vontades  perecíveis

     sensíveis, falecem 

      são tulipas na ventania


      Manso silêncio lunar, fiel

      vela a finda cerimônia


      Branda noite, despida de esperas

       sou despedida

       voltar, não prometi. (MiriamLi}








giz/MDF  ( 1,70 x 55 cm )
(em progresso...)

Resto do Post

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Despedida


Despedida


Sofro vontades perecíveis

sensíveis, falecem

são tulipas na ventania


Manso silêncio lunar, fiel

vela a finda cerimônia


Branda noite, despida de esperas

sou despedida

voltar não prometi.


Miriam Li



acrílica /mdf (75 x 60)

Resto do Post

Agonia

(em progresso...)

A dor da lágrima calma...

não concluídas...
MiriamLi

Segredos do silêncio

Solitude... Miriam Li

Infinito fim...



A solidão do indigente olhar que espera, sou
folha de outono deitada à beira da ilusão
não mais que a ferida indulgente do sussurro traído

sou a dor da lágrima calma, trêmula
acalma a febre da finda noite, transborda
mudos risos, restos de mim, sou

o teu silêncio sofrido, o meu, partido
fragrância querida, ainda viva, em impune ausência
jaz tenro abraço, desconhecido beijo sinto

infinito fim...



MiriamLi

Às vistas grossas da morte


Obras resgatadas e em progresso...

Morro todo dia sem que a vida saiba...
Vivo todo dia às vistas grossas da morte... MiriamLi

Insuficiente vontade

Transitando silêncios, sem passos, penso
nada há além do hábito que habito, inválido
resfria a antiga pele sensível sob o lenço

desapareço
indiferente... quieta, atravesso o tempo

negro sol golpeia a poesia
lentos versos requebram ao relento, pálido
sombreia a espera... morena luz fria 

finjo não ler o último recado da nova lua
insinua um poema, serena mentira, balbucia, nua
sacrifica segredos, prateia promessas, brinda à folia

exijo perfumes, ajoelho... arremesso a tiara

insuficiente vontade irriga o meu olhar
entorpece a menina, escorre... atiça a taça vazia
tinjo a lanterna...inspiro o espelho, absolvo a intriga

estremeço
rasgo a vidraça...inquieta, clara noite eterna espera, repenso.





DEDICO AO POETA FERNANDO OLIVEIRA
... resgatando olhares, coragem para recomeçar... renascer.


grafite em pó sobre eucatex (90 x 60) em andamento...
Resto do Post
MiriamLi
A Estranha - grafite em pó e acrílica/madeira (120 x 90)

No ano 2000 fiz a mais espetacular, desejada e feliz escolha da minha vida:
- a de nunca mais sair de dentro do mundo que criei para mim...
até que a morte me separe dos “Olhares da minha alma” e dos amores que aqui eu deixar.
Por livres e espontâneos desejos próprios, vivo sem sair à rua, salvo em ocasiões imperativas:

- porque adormeço e desperto numa cama de frente para o mar... mar que pintei na parede do meu quarto;
- porque adormeço numa rede que baila a cada pôr do sol e nas madrugadas vadias desperto iluminada pelo luar;
- porque no mundo que criei para mim... nas minhas paredes... os dias são ensolarados e as noites enluaradas;
- porque não estou brincando de viver e me permito vivenciar intensamente as minhas escolhas;
- porque cada pessoa é única, tem direito ao seu silêncio e tem desejos próprios;
- porque quando a noite vem e o meu olhar se alonga para além das janelas escancaradas do meu mundo, sinto
intensa dor, muda, sem corpo, só comparada à que sinto ao ver a cidade linda, ricamente enfeitada para as festas
de fim de ano e meus olhos não me obedecem, teimam e, antes que o meu olhar alcance o brilho dos fogos de artifício no céu e o colorido no alto dos prédios, dão rasantes pelas sarjetas, pela miséria das calçadas...
- porque
Cansei de morrer, tantas vezes morri...
antes do abraço, a um passo do encontro marcado, morri.
atravessei luas, cruzei sóis sem chegar a lugar algum, cansei.
cansei... de morrer, cansei!
Reles destino, omisso, deitou-me em mar de areia.
Anunciada solidão... estrelas marinhas, no olhar, bordei
vestindo silêncios, revestida de sonhos, secreta, voei.
ninguém me ouviu cantar... na sombra de um verso amanhecido, resplandeci
à beira de um beijo morto, sonâmbula, amanheci poesia.
Um sorriso latente a madrugada incendeia...
Morremos nós, eternamente.
-porque sou a outra... a bendita gêmea, maldita.
-porque... MiriamLi
Meu mundo...minha arte... minha rede... e o meu silêncio

Não te vás!

Saia escarlate ao chão... jaz a luz à cabeceira
amantes vontades rasgando véus
silhuetas famintas, inflamadas carnes ao léu
mãos que não se calam... o vinho é servido.

Pairam perfumes inundando o leito, gota a gota
regando feiticeiras bocas... rubra conspiração
desobrigadas taças... sorvido molho.

Resgatada pele, rotas pernas abraçando a paixão
inútil fuga... empossados céus.
demasiado tarde... é morta, a solidão.

Fica assim... no meu ultimo olhar, a miragem
diluindo silêncios, estremecendo a rede.

Assim ficas tu! esculpido em secreto poema
a dançar dentro de mim... Oh! túmido delírio
Não te vás!
MiriamLiUm fio de ouro... outro de cinza - afresco grafite em pó.
Parceria com o Poeta Fernando Oliveira - Pictural - Poesia - Pictural
1998 - Afresco grafite em pó(140 x 90)
Ah! Como eu te amei...
Sonhados rios, lagos, oceanos, oásis cruzei
nos céus líquidos, dormentes desejos sangrei
versos calados para ti cantei... cantei... cantei...
soprei segredos, despertando pássaros, querubins

Ah! Como eu te amei...

Nua rua nua
passos incertos, noites sem lua
Prateada aliança
ao sabor dos desejos, no campasso dos ventos
no teu abraço dancei... dancei... dancei...

Sobraram beijos
esparramadas pétalas na frágil calçada.

Ah! Como eu te amei...

A noite sempre se entrega ao astro rei
cai no dia, derretendo a magia.

Silenciei

Papoulas bailarinas ora desmaiadas
saudade sepultada viva na boêmia poesia.

Eu te amei... amei... amei... (MiriamLi)
aMAR - 1997 - afresco grafite em pó(95x27)
Desenvolvi técnicas de desenho, pintura e afresco usando grafite-pó.

Não tenho formação acadêmica ou cursos em artes, não conheço a história da
arte e nunca entrei numa galeria ou museu.

A escola de arte me acrescentaria muito, mas não me capacitaria...

A falta de conhecimento é justamente o que me torna absolutamente livre para
criar OS OLHARES DA MINHA ALMA.

A minha arte.. é fruto do meu silêncio e da sabedoria primeira inerente ao ser
humano, é desobediente a regras, isenta de influências e dispensa modelos.

É baseada, na elementar observação do efeito da luz e da sombra:
Fundamentada na análise detalhada das manchas nas paredes,produzidas pela
umidade e dos evidentes veios e nuances das pedras, madeiras, da lua e de todas
as superfícies (inclusive as líquidas):

A minha arte é tirada de um todo que já existe..
enuncia a minha verdade, denunciando a mistificação atribuída à arte inusitada,
inculta e, protesta contra o fanatismo doutrinário...

É legitimada pela lucidez do meu olhar despretensioso,atento para a inesgotável
fonte de possibilidades e de inspiração criativa de imagens, contidas em nuvens,
negativos de fotografias e películas de RX:

É resultado lógico de consciente e solitária investigação, sobre a capacidade de
percepção cerebral e ao estímulo da memória visual, facultando-me a peculiar
habilidade de retratar, com precisão fotográfica, as imagens, rostos, olhares e
paisagens que registro em sonhos, durante o sono.

Domino as técnicas de desenho e pintura que desenvolvi:
Em defesa própria,
indiferente a pensamentos alheios, supostas teorias e julgamentos precipitados...
não peço explicações sobre a MINHA arte, eu as tenho.

Assumo e assino OS OLHARES DA MINHA ALMA.

Não tenho religião... é a mola propulsora da discórdia entre a humanidade. (MiriamLi)
Um outro olhar
grafite pó/madeira(100x70)
Desenho
O homem visita o homem
acrílica/colcha de tecido matelace(100x70)
Pintura


Obras premiadas
XIII Salão Internacional de Artes Plásticas do Proyecto Cultural Sur-Brasil/2004




Parceria com o poeta Fernando Oliveira - Pictural - Poesia - Pictural "Bilingue"
Os teus olhares - afresco grafite pó (130 x 90)



Os teus olhares

Os teus olhares, se bem que plurais, são singulares
Visonhas, vindas das reminiscências de Guernica
A de-multiplicação esparramada de, Picasso
Pela multiplicação aparamentada, adensa de, Lima.

Como o poeta, rimas ou desramas, empilhas rostos
Como na poesia, estes formam o painel da centelha
A tua arte, alcança a minha, na imagem que é freira
A minha, sobra da tua, ou orna o quadro que não diz

Os dois, somos poetas e pintores, um lê, o outro olha.

Fernando Oliveira

Poesia dedicada a mim pelo Poeta Fernando Oliveira
Parceria - Pictural-Poesia-Pictural "Bilingue"
Fernando Oliveira - Poetema
Passos de cata - afresco(100x60)



Trilogia e metamorfose - 1996 - afresco grafite pó(100x160)


Parceria com o Poeta Fernando Oliveira - Pictural - Poesia - Pictural "Bilingue"

Duas torturas
grafite-pó/euicatex
O silêncio dos desejos grafite-pó,acríl/madeira(70x50)
Um olho facto..o outro abstracto acríl/lixa(50x40)

Parceria com o Poeta Fernando Oliveira - Pictural - Poesia - Pictural "Bilingue"